Mulheres Imaginadas: os usos da “herança greco-romana” nas concepções do “natural feminino” oitocentista

Discussão sobre a história das categorias “mulheres” e “gênero”, a partir da premissa de que a construção inter-relacionada de ambas é favorecida por uma releitura oitocentista (de fato fins do séc. XVIII e início/meados do séc. XIX) das obras da chamada tradição clássica. Isto significa que, no mesmo movimento de diálogo literário, filosófico, histórico, empreendido pelos europeus/ocidente com o pensamento político grego antigo, constrói-se, além dos termos do pacto social e do estado-nação, a divisão das esferas pública e privada e o gênero (burguês) binário masculino/feminino. Vamos explorar essa premissa para compreender “quem” é essa mulher imaginada como belo-sexo e posteriormente o segundo sexo; para compreender, ainda, quais as implicações políticas e culturais dessa leitura cruzada (gregos/modernos), tanto para a categoria mulher como para a formulação da nossa visão sobre o gênero e o papel das mulheres na “Grécia Antiga”. Nos estudos de caso, aproximaremos a problemática geral — mulheres imaginadas numa leitura moderna dos gregos antigos — do contexto brasileiro 1820-1870, quando entra em debate o tema da educação feminina para a nação.