Gramáticas da opressão e da resistência no pós-holocausto e no pós-colonialismo: velhos e novos contextos políticos sobre vítimas e perpetradores

O objetivo do curso é refletir sobre diálogos possíveis entre a memória do Holocausto e a memória da violência colonial, fenômenos que se constituem pela desumanização das vítimas. As conexões entre racismo e antissemitismo, colonialismo e holocausto como equivalentes funcionais, permitem explorar a singularidade do holocausto em sua relacionalidade com outros eventos de violência, bem como explorar a complexa estrutura relacional entre perpetradores, vítimas e expectadores presente tanto sob o nazismo quanto na experiência colonial. A ideia de que pode haver uma ligação entre o Holocausto e os crimes coloniais não é nova. Já na década de 1950 houve pioneiros da luta anti-colonial, a exemplo do escritor e político martinicano Aimé Césaire, que denunciou em seu Discurso Sobre o Colonialismo a violência colonial como uma ante-sala dos crimes cometidos na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. E na década seguinte, Frantz Fanon, médico e psiquiatra da Martinica, observava que “[…] genocídios e genocídios foram, por assim dizer, experimentados nas colônias antes de ocorrerem na Europa. Que a ruptura da civilização de que muitas vezes se fala ocorreu nas colônias antes de ser aplicada na própria Europa.” Neste curso buscaremos analisar e discutir o que consideramos ser uma gramática compartilhada de opressão e resistência por autores cujas experiências refletem a condição de vítimas de regimes de opressão, tanto no ambiente colonial, quanto no ambiente europeu. Pretendemos discutir as obras de autores que, de diferentes pontos de vista, refletiram sobre as relações entre vítimas e perpetradores em contextos do século XX.