Memória, violência e trauma no mundo contemporâneo

Com  Prof. Dr. Michel Gherman

Ementa: O curso pretende fazer uma discussão sobe a história e a historiografia do mundo contemporâneo a partir de temáticas relacionadas à memória, violência política, trauma, testemunho e processos de reparação e justiça de transição nos séculos XX e XXI. Nos últimos anos a sociedade e o Estado, em várias regiões do mundo, tem se dedicado ao tema da memória e do trauma da violência política, bem como às diferentes formas de registro, representação e reparação dessa violência. Testemunhos orais e escritos organizados na forma de acervos documentais ou publicados como relatos testemunhais, constituindo o que vem sendo chamado de “literatura testemunhal”; desenhos, pinturas, fotografias, diferentes expressões iconográficas tem sido expostas em museus e centros culturais em todo o mundo. Museus e memoriais tem sido criados com o objetivo de visibilizar a experiência do trauma e contribuir para a sua não repetição. Acompanhando este movimento a historiografia abriu-se para um leque de questões teóricas e metodológicas que incorporam a subjetividade, a experiência e o trauma tanto em sua dimensão individual como coletiva. Os estudos desenvolvidos
neste campo são fortemente marcados pela interdisciplinaridade cruzando
diferentes abordagens como história, sociologia, ciência política, direito,
literatura e até mesmo a psicologia. Mas, além disso, este campo é marcado por
uma postura ético-política vinculada ao estudo da violência e preocupada com a
sua superação.

Programa

I – História, memória,
violência e trauma: uma discussão teórica, metodológica e política. Michel
Pollak, Elizabeth Jelin, Beatriz Sarlo, Andreas Huysen, Enzo Traverso, Dominck
LaCapra.

II – Testemunho,
historiografia e literatura.

  1.             O
    papel do testemunho na escrita da história (Beatriz Sarlo, Silvia Salvatici,  Maria Paula Araujo
  2. História e literatura testemunhal. O
    paradigma do Holocausto. Primo Levi, Márcio Seligman-Silva.  Literatura testemunhal no Brasil e na América
    Latina (Domitila Bairrios, Rigoberta Mechu – testemunhos indígenas), exemplos
    no Brasil (romance “K” de Bernardo Kucinski).
  3. Testemunhos, história oral e literatura:
    Svetlana Alekievith e a narrativa literária de eventos traumáticos na URSS: a
    Segunda Guerra e o desastre nuclear de Tchernobil.
  4. Memórias de guerra: Cartas de
    Resistência (Denise Rollemberg); entrevistas de Kosovo (Silvia Salvatici);
    Todorov.

III – Violência
política e processos de reparação: a experiência das Comissões de Verdade na
África do Sul, Brasil, Peru e El Salvador. (Bárbara Cassin; Barahona de Brito;
os Informes da CVR do Peru e do Tribunal de Justiça Restaurativa de El
Salvador.)

IV – Violência de
estado contra populações discriminadas.

  1. Violência contra jovens pobres, negros e
    moradores de favela e periferia. Projeto “Vozes de Antígona”, Rede de
    familiares de vitimas e violência de estado no Rio de Janeiro. Trabalhar com
    algumas das entrevistas.
  2. Crise migratória e violência contra
    refugiados na Europa e nos Estados Unidos (Abu-Lughod; Michel Gherman) .

V
– Museus e Memoriais contra a violência e pelos Direitos Humanos. Discussão a
partir da Coalizão Internacional de Sítios de Consciência e da Rede Latino
Americana de Sítios de Memória. (Elizabeth
Jelin,Victoria Langland,  Maria Paula
Araujo).

Bibliografia
preliminar

ABU- LUGHOD;
Ahmad,  “Nakba, Palestine, 1948, and The
Claims of Memory”, New York. 2007

ARAUJO, Maria Paula & PINTO, António Costa (Orgs.) Democratização, memória e justiça de transição nos Países Lusófonos.
Recife, EDUPE, 2016.

ARAUJO, Maria Paula;
MONTENEGRO, Antonio; RODEGHERO, Carla (Orgs) Marcas da Memória: história oral da anistia no Brasil, Recife, Editora da UFPE, 2012.

BARAHONA DE BRITO, Alexandra; FERNANDEZ, Paloma
Aguilar & ENRIQUEZ, Carmen González (eds). “Las políticas hacia el pasado: juicios, depuraciones, perdón y olvido
en las nuevas democracias
”. Ediciones Istmo, 2002, Madrid.
Introducción  pp 29 – 70

————————————— “Verdad, justicia y memoria en Cono
Sur” IN: BARAHON DE BRITO, Alexandra; FERNANDEZ, Paloma Aguilar & ENRIQUEZ,
Carmen González (eds). “Las políticas
hacia el pasado: juicios, depuraciones, perdón y olvido en las nuevas
democracias
”. Ediciones Istmo, 2002, Madrid. Pp 195 – 245

BARRIOS, Domitila &
VIEZZER, Moema, “Si me permiten hablar. Testimonio de Domitila, uma mujer de
las minas de Bolivia”, 1977, Siglo XXI, Edição digital 2005.

CASSAN, Barbara; CAYLA, Olivier et SALAZAR, Philippe-Joseph  (orgs.) Vérité, Réconciliatio, Réparation, Seuil, Paris, 2004

GHERMAN, Michel. Between the Nakba and the Shoah:
disasters and national narratives.História [online].
2014, vol.33, n.2, pp.104-121. ISSN 1980-4369.
http://dx.doi.org/10.1590/1980-43692014000200007

HATUN
WILLAKUY. Versión abreviada
del informe de la Comisión de la Verdad y Reconciliación. Peru (Internet)

HUYSSEN, Andréas.
Resistência à memória: os usos e abusos do esquecimento público.  (mimeo.)

JELIN, Elizabeth &
LANGLAND, Victoria (orgs.),“Monumentos, memoriales y marcas territoriales”,
Siglo XXI Editores de Argentina, 2003.

JELIN, Elizabeth: Los Trabajos de la memoria.
Colección  Memorias de la represión.
Siglo XXI de Argentina editores. Link para o livro: http://cesycme.co/wp-content/uploads/2015/07/Jelin-E.-Los-trabajos-de-la-memoria.-.pdf

KUCINSKI, Bernardo.
“K”, SP, Ed. Expressão Popular,
2012.

LACAPRA, Dominique. Escribir la historia, escribir el trauma, Buenos Aires, Nueva Visión, 2005.

LEVI, Primo “Afogados e
Sobreviventes” Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1990.

POLLAK, Michel. “Memória, esquecimento e silêncio”. In: Estudos Históricos, nº 3, Rio de janeiro, 1989.

RELATÓRIO  Justicia
restaurativa en El Salvador: una oportunidad
(Sistematización del Tribunal
Internacional para la aplicación de la Justicia Restaurativa en El Salvador
2009). Instituto de Derechos Humanos de la universidad Centroamericana José
Simeón Canãs.

RICOEUR, Paul. Avant la justice non violente, la justice violente. IN: Cassan; Cayla
& Salazar (Orgs,), Vérité, Réconciliatio, Réparation, Seuil, Paris, 2004

ROLLEMBERG, Denise. “Resistência. Memória da
ocupação nazista na França e na Itália”, São Paulo, Alameda, 2016.

SALVATICI, Silvia.
“Memórias de gênero: reflexões sobre a história oral de mulheres” In: História
Oral – Revista da Associação Brasileira de História Oral, v. 8, nº 1, p. 29-42,
2005.

SALVATICI. “Narrativas de
violência no Kosovo do Pós guerra”. In: História Oral – Revista da Associação
Brasileira de História Oral, v. 8, nº 1, p. 115-127, 2005.

SARLO, Beatriz. “Tiempo Pasado.
Cultura de la memoria y giro subjetivo.
Uma
discusión”.
Siglo Veinteuno editores Argentina,
2007.

SELLIGMAN-SILVA, Márcio
(Org.), “História, memória, literatura: o
testemunho na era das catástrofes”
.
Campinas, Editora da UNICAMP. Introdução: “Apresentação da questão: a
literatura do trauma”, pp45 a 58.

————————————
“Narrar o trauma: a questão dos testemunhos de catástrofes históricas”. PSIC. CLIN., RIO DE JANEIRO, VOL.20, N.1, P.65 –
82, 2008.

SVETLANA, Aleksiévitch, “A guerra não tem rosto de mulher”, São
Paulo,Companhia das Letras, 2016

———————————–“Vozes de Tchernóbil”, São Paulo.
Companhia das Letras, 2016

TODOROV, Tzvetan. Memória do mal,
tentação do bem. Indagações sobre o sécul XX São Paulo, Câmara Brasileira do
Livro, 2002.

TRAVERSO, Enzo. “Le passe, modes d´emploi”. Paris, La Fabrique éditions,
2005.

Textos da web e sites de museus de consciência

https://www.uni-salzburg.at/fileadmin/oracle_file_imports/1175193.PDF
http://nameaam.org/uploads/downloadables/EXH.spr_14/7%20EXH%20SP%2014%20Forrest_Exhibition%20Narrative.pdf
http://www.moadsf.org/slavery-narratives/ http://www.aj-museum.alquds.edu/en/
http://www.mots.org.il/Eng/Index.asp  

http://www.aj-museum.alquds.edu/en/
http://www.mots.org.il/Eng/Index.asp  

http://www.mots.org.il/Eng/Index.asp